#8 Sete dicas sobre escrita científica?

 

 

ACESSE O VÍDEO NO CANAL DESCOMPLICADO

 

Neste texto, vou falar um pouco para você sobre a escrita científica. Qual o padrão de escrita devemos utilizar para nos comunicar com outros cientistas? Como devo me expressar? Devo escrever em primeira pessoa ou em segunda pessoa? É.. são muitas questões. Vou resumir neste texto as questões mais importantes em 7 dicas. Vamos juntos!

 

 

#1: A escrita científica deve ser clara e concisa.

 

Escreva sem rodeios ou artifícios que possam dificultar a leitura ou o entendimento das mensagens. Sua audiência deve entender o que você quer dizer de maneira rápida. Por isso, não seja ambíguo. Escreva de maneira direta. Sem firula.

 

Não existe a menor necessidade de escrever sobre ciência de uma forma complicada, utilizando uma linguagem exageradamente formal para impressionar os seus leitores. Palavras notadamente desconhecidas também não serão bem vindas. Muita erudição na escrita afastará os leitores e criará dificuldades desnecessárias. Afinal, o que importa, são os resultados e sua discussão.

 

Esta é uma ótima notícia. Isso significa que você não precisa ser o Machado de Assis ou o Guimarães Rosa para escrever artigos de primeira linha. Na verdade, você precisa ter pesquisas e ideias de primeira linha. Também, evite expressões ou palavras informais. Tome cuidado com isso. Convenhamos, isso não vai facilitar muito a vida dos leitores.

 

#2: Expresse uma ideia por sentença.

 

Evite misturar muitas ideias numa mesma frase. Certifique-se que os leitores não terão que relembrar de trechos extensos do seu texto para entender uma determinada sentença. Em outras palavras: mantenha junto o que deve estar junto. Pense nisso.

 

#3: Tente substituir frases longas por frases mais curtas. 

 

Não fique rodeando.. fazendo o que chamamos de “encher linguiça”. Evite frases do tipo: [Conforme os resultados, percebe-se que a economia nacional crescerá 3% em 2018. Seja direto. Diga: Conforme os resultados, a economia nacional crescerá 3% em 2018. Corte excessos. Isso não te ajudará muito.]

 

#4: Devo escrever em primeira pessoa ou em terceira pessoa?

 

As duas coisas estão certas. Verifique como estão os textos específicos da sua área ou da revista que você pretende submeter o artigo.

 

De modo geral, os textos em primeira pessoa não muito difundidos em português, embora não exista nada de errado em escrever desta forma. Mas alguns pareceristas e editores podem estranhar um pouco. Neste caso, seria melhor evitar. Para textos internacionais, prefira utilizar a primeira pessoa. Mas se preferir escrever em terceira pessoa, não tem problema.

 

Eu particularmente prefiro escrever em primeira pessoa.

 

[Nossos resultados indicam que... ao invés de Os resultados deste estudo indicam que... ]

 

No entanto, sempre escrevo em terceira pessoa para artigos nacionais, por reconhecer que este padrão é mais difundido e, com isso, mais amigável para pareceristas e editores.

 

#5: Acrônimos.

 

Escreva por extenso acrônimos sempre que utilizar a expressão pela primeira vez. Após isso, basta utilizar a sigla ao longo do texto. Se você se referir a ONU, escreva Organização das Nações Unidas (ONU) logo na primeira vez que utilizar. Após isso, escreva apenas ONU, sempre utilizando letras maiúsculas.

 

#6: Números.

 

Escreva por extenso números de 0 a 9. Use numerais apenas para números maiores que 10. Simples.

 

#7: A revisão gramatical e ortográfica é essencial!

 

Se não estiver muito seguro em relação a isso, busque ajuda. Eu recomendo fortemente que você sente ao lado do revisor e acompanhe de perto o seu trabalho. Tenha curiosidade. Quando você participa de todo o processo, você irá aprender mais. Ainda, poderá ajudar o revisor, explicando melhor trechos que não estão claros (lembre-se que o revisor não é um especialista).

 

Eu, particularmente, aprendi dessa forma. Fiz isso no meu primeiro artigo, nos meus tempos de graduação e, mais recentemente, no primeiro artigo em inglês que publiquei. Quando estava terminando o meu TCC, e queria transformar o meu trabalho em um artigo, fui até a minha ex professora de português do colégio , a prof. Jane,  e me sentei ao lado dela por 2 horas. Isso me ajudou muito.

 

Em 2015, quando fui para NY passar uma temporada de 1 ano na Columbia University, tive a sorte de dividir o apartamento com uma senhora, nativa, muito gente fina. Junto com ela, foram horas de leitura e re-leitura.. melhorando tudo aquilo que eu estava escrevendo em inglês. Um verdadeiro parto. Mas também ajudou muito.

 

Se não for possível sentar ao lado da pessoa, não deixe de pedir que o revisor ligue o controle de alterações, exibindo todas as marcações. Assim você poderá ver todas as modificações que foram feitas.  E aprender.

 

Bom, se seguirem estas dicas, tenho certeza que irão escrever um texto científico muito mais interessante. Para continuar acompanhando os vídeos, assine o canal. Ate breve!

 

INSCREVA-SE NO CANAL DESCOMPLICADO

Please reload

© 2018 por Douglas Sathler | Canal Descomplicado | UFVJM